Depois de ler a cópia deste coment, esperemos que o Almada poste qualquer coisa em defesa do seu amo.Eis então o interessante comentário:

Martins Júnior, um mago e um sábio da política madeirense,(homem da liberdade e do 25 de Abril) á frente da homenagem ao poeta machiquense Francisco Álvares de Nóbrega mais cnhecido por Camões "pequeno"
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Camões Pequeno 'traduzido' em núcleo de obras de arte |
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Musicar sonetos do poeta e lançar nova edição da sua obra são iniciativas dedicadas a Francisco Álvares de Nóbrega |
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Ao longo dos últimos oito meses realizaram-se várias iniciativas no âmbito das comemorações do bicentenário da morte do poeta madeirense. |
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Data: 30-07-2007 veja DN |
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| Paula Henriques |
SONETO
De Marte açoite os férvidos cavalos
Aquele que inda aspira ao ceptro de ouro,
E por cingir na frente o verde louro,
Da bala escute os hórridos estalos.
Da mansa paz nos cândidos regalos,
Acha o meu coração maior tesouro,
Querer eu dominar, fora desdouro;
Não sei povos reger, sei amá-los.
Nasci no berço, onde o pequeno nasce,
Hei-de descer à fria sepultura,
Sem a fofa grandeza me embarace.
Só quisera subir a alta ventura,
Se o dominar o Mundo me isentasse
Da tirânica Lei da Morte escura.
(in «Vida e Obra de Francisco
Álvares de Nóbrega», 5ª. Edição,
Ed. Arguim.Madeira, 2001)
Francisco Álvares de Nóbrega
(Camões Pequeno)
(Machico, 1772-1806, Lisboa)
*
Francisco Álvares de Nóbrega (1772-1806), era natural de Machico (Madeira) e viveu entre a sua terra-natal, o Funchal e Lisboa, onde acabou por morrer, de lepra e outras doenças. Ficou popularizado, depois de uma vida plena de desventuras que, por motivos políticos, o conduziu ao conhecimento frequente das cadeias do Reino, como o "Camões Pequeno", facto que ainda hoje interessa aos estudiosos da Literatura Portuguesa, como foi o caso do madeirense Joel Serrão. Este chegou mesmo a interrogar-se do porquê desse cognome, já que "nenhum poeta português se pôde arrogar a ser grande quando o ponto de referência é Camões", nem mesmo "Fernando Pessoa, que por de mais saber, procurou, em vão, elidir a grandeza do poeta quinhentista!", pelo que "todos os poetas portugueses, madeirenses ou não, são 'pequenos' relativamente à grandeza solar do grande lírico do século XVI". A sua obra, que se encontrava esgotada, foi recuperada por Alberto Figueira Gomes, no volume "Rimas", publicado como "separata" do jornal "Voz da Madeira", em 1958, de onde foi respigado um livro-síntese, "Vida e Obra", dado à estampa em 2001 pela Editora Arguim-Madeira.
Fogo vermelho. o céu ficou vermelho em consequência dos incendios que atingiram a zona do Egeo, no golfo de Corinto, ao norte de Grécia.
Kate Moss (veja blog)

Maminhas melhores do que estas só as chorudas sinecuras dos srs. deputados ,assessores e funcionários da Assembleia Regional.
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Miguel Fonseca Volta a ser exagerado nas críticas ao Camarada Gouveia
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| Ditadura é ditadura |
| Data: 29-07-2007 Diário de notícias do Funchal |
Quem não é do PPD não é bom madeirense; quem não apoia Salazar é comunista; quem critica o Partido vai para a Sibéria; quem não é do Benfica não é bom chefe de família. E poderíamos ficar numa infindável série de díades. Destas que citei, para além da do Benfica que até é engraçada, as outras revelam um pensamento totalitário que exclui todos os que não se identificam com os pares da dicotomia. Eu, por exemplo, que não sou nem do PPD, nem Salazarista, nem do Partido, nem do Benfica não tenho existência. Um pensamento totalitário que, na II Guerra, pretendeu reduzir o mundo a Hitler ou a Estaline, esquecendo Truman, ou Churchill, ou De Gaulle, ou Roosevelt, etc. Mas tudo isto para revelar a última dicotomia lançada, covardemente, pelos próceres do "Novo PS" e seus apaniguados: quem critica João Carlos Gouveia não é bom socialista. Claro, mas quem critica hoje Sócrates e ontem Mário Soares já seria uma esquerdista de primeira água. Não questiono o direito a criticar Soares (o Mário, claro!), eu que já o sigo politicamente desde 1973, ou Sócrates. O que eu verdadeiramente critico é que se possa criticar Soares ou Sócrates mas já se não possa criticar João C. Gouveia, O mesmo raciocínio, desenvolvido, teria como resultado, com João C. Gouveia no poder, que quem não o apoiasse o PS de J. C. Gouveia não seria bom madeirense, como hoje não é bom madeirense quem não apoia o PPD. Portanto, chegamos ao ponto de partida. Felizmente que nem no PPD e muito menos no PS todos pensam assim. A verdade é que, se não fui ao Congresso, como socialista que sou, dizer o que penso, incluindo as críticas públicas que tenho feito, é porque as jogadas aparelhísticas (com beneplácito e benefício de J. Carlos Gouveia) impediram o aparecimento de outras candidaturas. É claro que os que têm uma visão escatológica e totalitária da política e acham que os fins justificam os meios não percebem que, numa sociedade aberta, livre e plural, os meios, porque tornam possível os diferentes projectos com fins e objectivos diversos, é que são essenciais. Apostilhas.: a) Alguns apaniguados parece que pretendem fundar um movimento fundamentalista cujo "deus" é J.C.G. Outros dirão "J.C. só há um, o da Palestina e mais nenhum. Serão livres de o fazerem e conquistar aderentes, mas não mandem para a fogueira inquisitorial os que não os seguirem; b) João Carlos Gouveia era mau socialista quando criticava publicamente os sucessivos líderes do PS contra os quais se candidatou? P. S. Agradeço publicamente a todos os que têm colocado na blogosfera as minhas cartas do leitor. |
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Sr. Miguel Fonseca seja razoável nas suas críticas o sr. é militante socialista e está no seu pleníssimo direito de criticar seja quem for. Se não gosta do professor , não quebre a unidade que começa a ser construída dentro do Partido Socialista e também junto de muitos democratas madeirenses. Só o Professor Gouveia está em condições anímicas e políticas de enfrentar com sucesso o fascista/populista Jardim. Nós aqui na redacção do Pravda ilhéu e no Jornal Garajau estamos de pedra e cal com o professor Gouveia. E você amigo Fonseca Porque não vem dar o seu apoio? Será que também é submarino do Papadas não acreditamos! |

| Jardim é "ditador travestido de democrata" |
| Novo presidente do PS-M defendeu "alternativa política capaz de garantir a defesa do Estado de Direito na região" |
| Data: 29-07-2007 |
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Sr. Miguel Fonseca, o senhor ainda quer melhor discurso do que este? por favor venha lutar connosco traga um amigo também e deixe-se de histórias da Carochinha! Um abraço da redacção.
Carta do leitor do padre Martins Júnior um dos políticos mais sábios desta terra: Um ícone da revolução de Abril de abril que nunca chegou a ilha

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Ficamos imensamente felizes com o destaque que o Diário do "Calistro" deu ao nossso camarada professor o Homem certo no momento certo para liderar uma verdadeira oposição ao regime protofascista /jardinista
João Carlos Gouveia é, com a sua trajectória, os seus tropeções e excentricidade, a prova de que a máxima de Churchill é verdadeira. Em política, morre-se muitas vezes. Aos 48 anos, este professor de português da Escola Lucinda de Andrade renasce como líder do PS e numa altura em que ninguém se adianta para assumir a responsabilidade. O momento não é fácil, sobretudo quando a sobrevivência do partido depende de uma guerra com o PS de Lisboa. No entanto, Gouveia já deu mostras de não ser pessoa de fugir de desafios ou problemas. Ao menos resistência não lhe falta para enfrentar com sorriso os métodos agressivos do PSD.
Menina deputada Rafaela Fernandes do PSD fez uma intervenção na assembleia sobre o aborto tão antiquada e fascizante que ultrapassou os beatos escolásticos da Idade Média e os retrógrados esbirros do Santo Ofício.
Mas a senhora (menina) está desculpada porque tem que agradar ao "Papadas" para continuar a ganhar o seu rico dinheirinho.
O tachinho da Assembleia é muito chorudo e a menina Rafaela sabe disso.
O Líder Parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa da Madeira envolveu-se numa autentica "peixeirada" com o Deputado do PCP, Edgar Silva, que mais uma vez desprestigia o Parlamento Regional.Raínha da noite. o navio de cruzeiro Queen Mary 2 ,faz a sua entrada no porto de Hamburgo durante a sua primeira visita a esta cidade alemã.
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Autor das famosas bandas desenhadas Tintin e Spirou o amigo morreu aos 70 anos.

Carlos Roque
(12/4/1936 - 27/7/2006, Portugal)
Outra efeméride:Em 1970 morreu aos 81 anos, o António de Oliveira Salazar o célebre «botas» de sinistra memória. Foi antigo ministro das Finanças e presidente do governo da Ditadura do Estado Novo.

O mundo continua injusto
Pobreza extrema e inundações no Bangladesh
Notícia Madeirense:
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Diamantino Alturas foi ontem ouvido na Inspecção do Trabalho.
Alturas o sindicalista "Modelo" do PCP/Madeira (O homem que mobiliza as "massas" trabalhadoras e sua magestade Raínha Dona Guida I esposa do nosso Ramsés I Faró das Pírâmides junto ao delta do grande rio Nilo
"O Salazarismo foi uma doença que pôs de rastos o povo português" José Gil (1945),Filósofo e ensaísta português. |
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Manuel Alegre o combatente indomável: Intolerante contra as derivas totalitárias contra a servidão e governamentalização do pensamento.
O homem da liberdade de expressão, aquele amigo a quem todos os democratas deste país muito devem.
Ontem no «Público» foi a consciência crítica do PS fazendo reparos ao desvio de direita do Governo de José Sócrates:
« ...os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura.»
«A crítica é olhada com suspeita o seguidismo transformado em virtude»
«Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo.Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á. Mas que têm em comum a delação e a confusão entre a lealdade e a subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmo inquietantes. Em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.»Extraído com a devida vénia do Jornal"público"25 julho de 2007
ver o artigo na íntegra, dada a sua importância na edição do «Público»:

«Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á. Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.
Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.
Sottomayor Cardia escreveu, ainda estudante, que "só é livre o homem que liberta". Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros. Ora isso é o que nunca pode acontecer em democracia. E muito menos num partido como o PS, que sempre foi um partido de homens e mulheres livres, "o partido sem medo", como era designado em 1975. Um partido que nasceu na luta contra a ditadura e que, depois do 25 de Abril, não permitiu que os perseguidos se transformassem em perseguidores, mostrando ao mundo que era possível passar de uma ditadura para a democracia sem cair noutra ditadura de sinal contrário.
Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado. No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra. Aliás, os debates desse congresso, entre Sócrates, eu próprio e João Soares, projectaram o PS para fora de si mesmo e contribuíram em parte para a vitória alcançada nas legislativas. Mas parece que foram o canto do cisne. Ora o PS não pode auto-amordaçar-se, porque isso seria o mesmo que estrangular a sua própria alma.
Há, é claro, o álibi do Governo e da necessidade de reduzir o défice para respeitar os compromissos assumidos com Bruxelas. O Governo é condicionado a aplicar medidas decorrentes de uma Constituição económica europeia não escrita, que obriga os governos a atacar o seu próprio modelo social, reduzindo os serviços públicos, sobrecarregando os trabalhadores e as classes médias, que são pilares da democracia, impondo a desregulação e a flexigurança e agravando o desemprego, a precariedade e as desigualdades. Não necessariamente por maldade do Governo. Mas porque a isso obriga o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) conjugado com as Grandes Orientações de Política Económica. Sugeri, em tempos, que se deveria aproveitar a presidência da União Europeia para lançar o debate sobre a necessidade de rever o PEC. O Presidente Sarkozy tomou a iniciativa de o fazer. Gostei de ouvir Sócrates a manifestar-se contra o pensamento único. Mas é este que condiciona e espartilha em grande parte a acção do seu Governo.
Não vou demorar-me sobre a progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde, com, entre outras coisas, as taxas moderadoras sobre cirurgias e internamentos. Nem sobre o encerramento de serviços que agrava a desertificação do interior e a qualidade de vida das pessoas. Nem sobre a proposta de lei relativa ao regime do vínculo da Administração Pública, que reduz as funções do Estado à segurança, à autoridade e às relações internacionais, incluindo missões militares, secundarizando a dimensão administrativa dos direitos sociais. Nem sobre controversas alterações ao estatuto dos jornalistas em que têm sido especialmente contestadas a crescente desprotecção das fontes, com o que tal representa de risco para a liberdade de imprensa, assim como a intromissão indevida de personalidades e entidades na respectiva esfera deontológica. Nem sobre o cruzamento de dados relativos aos funcionários públicos, precedente grave que pode estender-se a outros sectores da sociedade. Nem ainda sobre a tendência privatizadora que, ao contrário do Tratado de Roma, onde se prevê a coexistência entre o público, o privado e o social, está a atingir todos os sectores estratégicos, incluindo a Rede Eléctrica Nacional, as Águas de Portugal e o próprio ensino superior, cujo novo regime jurídico, apesar das alterações introduzidas no Parlamento, suscita muitas dúvidas, nomeadamente no que respeita ao princípio da autonomia universitária.
Todas estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista. Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo. Há também o álibi da presidência da União Europeia. Até agora, concordo com a acção do Governo. A cimeira com o Brasil e a eventual realização da cimeira com África vieram demonstrar que Portugal, pela História e pela língua, pode ter um papel muito superior ao do seu peso demográfico. Os países não se medem aos palmos. E ao contrário do que alguém disse, devemos orgulhar-nos de que venha a ser Portugal, em vez da Alemanha, a concluir o futuro Tratado europeu. Parafraseando um biógrafo de Churchill, a presidência portuguesa, na cimeira com o Brasil, recrutou a língua portuguesa para a frente da acção política. Merece o nosso aplauso.
Oque não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o Governo, este passa a mandar no partido, que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude.
Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente. Qualquer deriva nesta matéria seria para o PS um verdadeiro suicídio.
António Sérgio, que é uma das fontes do socialismo português, prezava o seu "querido talvez" por oposição ao espírito dogmático. E Antero de Quental chamava-nos a atenção para estarmos sempre alerta em relação a nós próprios, porque "mesmo quando nos julgamos muito progressistas, trazemos dentro de nós um fanático e um beato". Temo que actualmente pouco ou nada se saiba destas e doutras referências.
Não se pode esquecer também a responsabilidade de um poder mediático que orienta a agenda política para o culto dos líderes, o estereótipo e o espectáculo, em detrimento do debate de ideias, da promoção do espírito crítico e da pedagogia democrática. Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória.
Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa. Responsabilidade dele? A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD. Ora isto não é bom para o próprio Sócrates, para o PS e para a democracia. Porque é em situações destas que aparecem os que tendem a ser mais papistas que o Papa. E sobretudo os que se calam, os que de repente desatam a espiar-se uns aos outros e os que por temor, veneração e respeitinho fomentam o seguidismo e o medo.
Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro. Mas também sei que, assim como, em certos momentos, como fez o PS no verão quente de 75, um partido pode mobilizar a opinião pública para combates decisivos, também pode suceder, em outras circunstâncias, como nas presidenciais de 2006 e, agora, em Lisboa, que os cidadãos, pela abstenção ou pelo voto, punam e corrijam os desvios e o afunilamento dos partidos políticos. Há mais vida para além das lógicas de aparelho. Se os principais partidos não vão ao encontro da vida, pode muito bem acontecer que a recomposição do sistema se faça pelo voto dos cidadãos. Tanto no sentido positivo como negativo, se tal ocorrer em torno de uma qualquer deriva populista. Há sempre esse risco. Os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura.
Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: "Entre nós e as palavras, o nosso dever falar." Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.» [Público assinantes]
Dois Jovens tigres siberianos
Feridas da guerra. O presidente dos EUA, George W. Bush, ladeado pelo sargento Neal Duncan (esquerda) e o especialista do Exército Max Ramsey depois de trotear num jardim a sul da Casa Blanca. Duncan perdeu as suas duas pernas no Afeganistão en 2005 e Ramsey perdeu a sua perna esquerda em Março de 2006.
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