Continuação do trabalho publicado na passada semana

«Em 1941, veladamente, o governo fascista português continuava a auxiliar os nazis, entregando à Gestapo, um grupo de refugiados alemães encontrados em Portugal, que seriam barbaramente assassinados pela polícia hitleriana.
Acresce que em benefício dos fascistas germânicos, uma empresa alemã ligada a capitais americanos, começou a explorar, directamente, as minas de ferro de Moncorvo.
Entretanto, a PIDE prendeu Militão Ribeiro, Pires Jorge, Pedro Soares, e Júlio Fogaça, todos dirigentes do Partido Comunista Português.
E explorando o medo e a desinformação, a Emissora Nacional iniciou uma grosseira e primária campanha anticomunista.
Contudo, com grande coragem e determinação, o PCP procedeu a uma profunda renovação; voltando o Avante a ser publicado, sem jamais os fascistas terem conseguido silenciar a sua voz.
Em 5 de Novembro, encabeçados pelos militantes comunistas, os trabalhadores reataram as lutas com uma grandiosa greve dos operários têxteis realizada na Covilhã; enquanto pouco depois, os pescadores da Nazaré e os da faina do bacalhau, multiplicavam acções de massas e manifestações, onde reivindicavam aumentos de salários.
Esse ano terminou com a greve dos estudantes de Lisboa, que lutavam contra o pagamento das propinas
E foram mortos no Tarrafal os militantes do Partido Comunista Português, Jacinto Melo Faria Vilaça (marinheiro), Casimiro Júlio Ferreira (funileiro), e João Lopes Dinis (canteiro).
Em 1942, os militantes do Partido Comunista Português promoveram marchas de fome contra o envio de alimentos para a Alemanha nazi; e dirigiram a greve dos operários da construção naval, e outras paralisações, em Lisboa, que mobilizaram mais de 20.000 trabalhadores, reivindicando aumentos de salários.
Além desse tipo de luta, milhares de antifascistas realizaram marchas da fome, protestando contra o envio de géneros alimentícios para a Alemanha de Hitler.
Porém, a Emissora Nacional intensificou a campanha contra os comunistas; enquanto os assassinos da PIDE mataram a tiro, dentro do seu próprio consultório, o médico militante do PCP António Ferreira Soares, acabando por serem miseravelmente absolvidos, pelos Tribunais do regime.
Em 10 de Setembro, vítima de brutais sevícias, morreu também no Tarrafal, o torneiro mecânico e secretário-geral do Partido Comunistas Português, Bento Gonçalves.
Foram ainda brutalmente assassinados pelas forças repressivas, os heróicos operários militantes do Partido Comunista Português, Albino António de Oliveira Carvalho, António Guedes de Oliveira e Silva, Ernesto José Ribeiro, e Damásio Martins Pereira; e ainda António Jesus Branco (descarregador) e Henrique Vale Domingos Fernandes (marinheiro)
Em 1943, despudoradamente, Salazar e o seu governo forneceram volfrâmio à Alemanha, que chegou a explorar directamente algumas minas em Portugal; sendo certo que o País também abastecia os nazis com conservas e outros produtos.
Do mesmo modo, a Itália de Mussolini adquiriu em Portugal um lote de canhões pesados, e outros tipos de material de guerra.
Por sua vez, os nazis venderam-nos veículos blindados a fim de serem utilizados pela GNR; e até carabinas para equipar a Mocidade Portuguesa.
Nesse ano, ano em que seria dissolvida a Internacional Comunista; o PCP e o seu semanário Avante, promoveram a formação dos Comités de Unidade Nacional para lutarem pelo pão, contra a exportação de comestíveis para a Alemanha nazi.
E o Partido Comunista Português iniciou uma grande campanha para a unidade de todos os democratas, encabeçando numerosas contendas e greves. Tudo começou com a luta vitoriosa dos sapateiros de São João da Madeira contra o desemprego, que forçou o governo a distribuir-lhes material para a confecção de sapatos, continuando com novas e poderosas manifestações dos sapateiros no Couto e na Arrifana.
Por sua vez os assalariados rurais também travaram lutas contra o despacho governamental de 14 de Maio, pelo qual o governo fascista aumentava os horários de trabalho e diminuía os salários.
Até que em Lisboa, e por toda a margem Sul, mais de 50.000 trabalhadores faziam greves e organizaram manifestações pelo pão e contra a fome.
Em Dezembro, o PCP e muitos democratas constituíram o Movimento de Unidade Antifascista (MUNAF).
Foi em Março de 1943, que o Partido Comunista Português organizou o seu 3º Congresso (1º na clandestinidade); onde analisaram a opressão e as grandes contrariedades de que todo o povo português era vítima.
Nessa assembleia os militantes comunistas decidiram porfiar o combate ao fascismo, persistindo na luta por uma sociedade mais justa e solidária; tendo-se destacado entre as diversas teses apresentadas, um excelente trabalho revolucionário elaborado por Álvaro Cunhal.
Foram eleitos para o Comité Central do PCP, os quadros que mais se distinguiram nas duras lutas do movimento de massas, entre eles, Álvaro Cunhal, José Gregório, e Manuel Guedes que constituíram o Secretariado, e ainda Pires Jorge, Sérgio Vilarigues, Alfredo Dinis (Alex), e Dias Lourenço.
Entretanto, no Tarrafal, assassinaram os militantes do Partido Comunista Português Francisco Nascimento Gomes (condutor), e Paulo José Dias (fogueiro marítimo).
Em 1944, o sub-secretário de Estado Santos Costa apresentou ao governo nazi alemão um projecto de acordo para o fornecimento de armamento para a fábrica militar de Braço de Prata.
A meio do ano reuniu o Congresso da União Nacional, que deliberou reforçar o regime da Censura Prévia, e criar o Secretariado Nacional da Informação (SNI).
E em Setembro, ao mesmo tempo que o Salazar tornava a entregar a Franco refugiados republicanos espanhóis para serem fuzilados; principiavam a chegar a Portugal centenas de alemães, muitos deles criminosos de guerra, que eram bem acolhidos na Cúria e no Buçaco.
Ainda em 1944, respondendo ao apelo do PCP, mais de 25.000 trabalhadores da Amadora, Sacavém, Vila Franca, Alhandra, Lisboa, Loures, e Barreiro, organizam uma monumental greve geral, acompanhada por muitas manifestações.
Por sua vez no verão, os rendeiros e camponeses de Almeirim, mais precisamente da Quinta da Goucha envolvem-se em lutas contra os grandes agrários; e já perto de Dezembro, multiplicam-se, no Ribatejo, vigorosas greves pelo aumento de salários, algumas delas vitoriosas.
Nessa conjuntura, o general antifascista Marques Godinho foi preso e deportado para o Tarrafal, onde vítima de maus-tratos, acabaria por morrer; enquanto a criminosa PIDE também matou barbaramente o militante do PCP Francisco Ferreira Marquês (empregado de escritório).
Até que em Março de 1945, Salazar decretou luto nacional pela morte de Hitler e do nazismo alemão.
Imediatamente, o movimento operário ampliou a luta, e organizou centenas de manifestações comemorativas da gloriosa vitória dos aliados, e da derrota do nazismo.
Entretanto, pressionados pelas circunstâncias, os governantes fascistas autorizaram que concorressem diversas listas independentes às direcções dos sindicatos, sendo que em 50 deles saíram vencedores dirigentes afectos à oposição.
E na Voz do Operário, o Movimento de Unidade Democrática (MUD), realizou a sua primeira sessão pública; inaugurando, pouco depois, comissões dessa organização em todas as cidades do País, e também nas ilhas.
Por outro lado, Partido Comunista Português encabeçou grandes manifestações e comícios em Lisboa, no Porto, e um pouco por toda a parte, reivindicando eleições livres contra a habitual farsa eleitoral.
Todavia, esse objectivo não foi conseguido, e a oposição não teve outro caminho senão boicotar o escrutínio de 18 de Novembro; e apoiar as vigorosas greves dos operários agrícolas de Montemor e Vendas Novas.
Raivosamente, a GNR e a PIDE assassinaram vários camponeses e militantes do PCP, e prenderam muitos outros.
Contudo, verificam-se greves vitoriosas dos assalariados rurais da Paradela (Trás-os-Montes), em luta pelo aumento dos salários; e em Lisboa, os trabalhadores da Carris também entram em greve, enquanto multiplicam-se concentrações e manifestações camponesas em Montemor, Tavira, e em Ermidas, durante três dias seguidos.
Nesse ano, mais precisamente em 28 de Maio, a PIDE assassinou, selvaticamente, Germano Vidigal, operário da construção civil, dirigente sindical, e militante do Partido Comunista Português; e poucos meses depois voltou a matar o jovem militante e membro do Comité Central desse partido, Alfredo Dinis (Alex). ...»(ver site)