A escravatura não acabou
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A «crise» mundial está a fazer crescer o apetite pelo trabalho escravo: a cada dia que passa, milhares de pessoas são vendidas e forçadas a trabalhar ou a prostituir-se. O tráfico de seres humanos, escravatura dos tempos modernos, está a aumentar por todo o Mundo. A maior parte das histórias não são tão espectaculares – e não têm final feliz.
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I
Há meses que ele não conhece outro lugar. O barco, registado na Tailândia, tem quarenta metros de comprimento por uns cinco de largura. Todos os dias, 12 horas por dia, puxa as pesadíssimas redes de peixe. Ainda não tem 40 anos, mas tem um ar envelhecido e está magríssimo. Entre passar fome e comer o arroz podre e a comida da qual tem a certeza estar envenenada, a escolha é tudo menos fácil. Com ele estão outros companheiros birmaneses, uns com 60 anos. Trabalham todos os dias até ao limite do cansaço para absolutamente nada receberem em troca. Não há sítio para onde fugir e ele tem medo de toda a gente. Batem-lhe – uma vez foi quase até à morte. «Se fugir vou viver mais tempo», repete para si.
A rotina era esta até ao dia em que a quebrou. Como habitual quando o barco está cheio de peixe, vendiam a mercadoria a um grande navio. Num desses descarregamentos, quando os dois barcos estavam juntos, viu finalmente a oportunidade. Fugiu.
II
Conseguiu entrar no navio sem que ninguém reparasse e escondeu-se nos porões do peixe. Só que cedo começou a gelar. Então tentou desesperadamente arrancar os cabos de electricidade, cortar o ar condicionado. Não conseguiu. E não aguentou mais. Voltou a subir, já fraco, gelado. No dia seguinte entregaram-no de volta ao pequeno barco. De volta à escravidão, à única vida que conhecia desde há cinco meses.
Já perdeu a conta aos anos que passaram desde os dias em que, pelas ruas da sua aldeia, no Sul da Birmânia, pregava o budismo e ensinava a grandes plateias o prazer da meditação. Por causa da violência da junta militar teve de fugir e atravessar uma fronteira – o passo que viria a arruinar-lhe vida. Na Tailândia ainda trabalhou na construção, até que um dia a polícia o apanhou, sem papéis. Também não tinha como pagar os 70 dólares que lhe exigiram. Esteve preso até ser vendido a uma «agência de trabalho». Ali convenceram-no a trabalhar um mês num barco: «Se no fim estiveres feliz continuas, se não sais.» O ordenado seria duns 100 dólares por mês. Nunca tinha experimentado trabalho tão pesado, mas por um mês aceitou.
O barco deixou a Tailândia para não mais se voltar a aproximar de um porto. Compra combustível a grandes barcos no meio do oceano, os mesmos a que vende o peixe. «Não há forma de escapar. É como uma prisão flutuante.»
III
Como este barco onde ele vive há outros cinco, propriedade da mesma «agência» tailandesa. Um está registado, os outros são cópias. Em todos há homens escravizados como ele, da Tailândia, da Birmânia, do Cambodja. Homens que todos os dias, durante 12 horas, puxam as pesadas redes. Sós, longe de casa, cada dia é um dia a menos para morte. Para ele, no entanto, um dia houve que foi mais do que isso. Com o nascer do Sol reparou numa ilha que surgia ao fundo. «Timor», disseram-lhe. «Se fugir vou viver mais tempo». Pelas 20h, discretamente, deitou uma garrafa ao mar. De seguida esvaziou um jerrican de plástico. Às 23h deitou uma segunda garrafa. À meia-noite testou uma última vez: as correntes continuavam a dirigir as garrafas para a ilha. Então atou-se ao jerrican. E saltou.
IV
Hoje ele está sentado à minha frente e os seus olhos brilham. Tem um aspecto saudável. Conta-me tudo, fala horas a fio (é engraçado que o intérprete resuma cada meia hora em quatro ou cinco frases em inglês) e sorri. Está bem diferente do farrapo de ser humano que a Heather encontrou há umas semanas.
Chegou a uma praia de Timor pelas 6h da manhã daquele dia, tão fraco que era incapaz de andar. Tinha nadado durante mais de cinco horas. Por felicidade, a OIM, em Timor por outros motivos, deu com ele depois de ter passado uns dias numa aldeia próxima, ainda subnutrido, exausto, traumatizado e paranóico: achava que todos o perseguiam. A OIM tem agora algo em que colocar um pouco das suas enxurradas de meios e dinheiro. A ele, vão apoiá-lo a voltar a casa, nessa já distante Birmânia, e a recomeçar ali a sua vida.
É duro e é óbvio: a maior parte das histórias de tráfico humano não tem final feliz. São cerca de dois milhões de histórias, a cada ano. Dois milhões de anónimos, como ele. (escrito pelo nosso colaborador para as questões internacionais, Francisco Colaço Pedro)
Fanatismo religioso coloca Paquistão ingovernável a ferro e fogo.


Tolentino Nóbrega no Jornal Público:
Banca recusa financiamento de 500 milhões á Via-Madeira
O governo regional está em dificuldades para fechar a operação financeira da ViaMadeira. Face à recusa da banca de um empréstimo de 500 milhões de euros, solicitado pelas empresas construtoras que integram a concessionária rodoviária, o executivo de Alberto João Jardim envolveu-se na procura de um modelo alternativo de financiamento para as estradas já em construção. (leia mais Aqui)
Comentários dos Leitores do "Público":
Anónimo, cascais. 28.12.2009 23:5
basta!
é o regabofe total, o desbaratar do erário publico à custa dos impostos dos continentais (em Espanha as regiões autónomas são responsáveis por + de 75% do endividamento publico, segundo dados oficiais). Cá para lá caminhamos, madeira e Açores são responsáveis por quanto? como se já ñ bastassem os chorudos ordenados dos gestores públicos, além dos prémios do prejuízo acumulado, da derrapagem nas obras publicas, da má governação... ainda temos que aturar estes salazarentos (AJJ está há mais anos no poder que o salazar) haja dó! basta
Título
ajj anda a brincar c/ o povo, um dia destes há fome na madeira c/ no tempo do salazar, ele e os seus amigos de bolso cheio.
Ajudar a lupanagem é deitar dinheiro ao vento:
S. Miguel (Açores)
Crianças vendem 'Magalhães' a 5 euros nos Açores
Crianças açorianas estão a vender computadores Magalhães por cinco euros ou em troca de brinquedos. Segundo a Antena 1, crianças da ilha de S. Miguel - muitas delas oriundas de bairros carenciados e que receberam o portátil nas suas escolas - fazem negócio trocando o computador por dinheiro ou por brinquedos. Algumas delas declararam mesmo que a troca pode ser efectuada por uma bicicleta ou por um carro de esferas. Outras pedem entre os 5 e os 30 euros "para a mãe fazer a sua vida, para comer ou só mesmo para brincar". Questionada sobre a questão, a secretária regional da Educação, Maria Lina Mendes, disse à Antena 1/Açores "que, a partir do momento em que os pais pagam o computador, essa responsabilidade passa a ser deles e não da tutela". O Governo pagou cerca de 200 euros por cada Magalhães. (Dn/Lisboa)
Parecer: Do Blog "O Jumento"
Daqui a uns anos vamos ter mais uma geração a viver à custa do rendimento mínimo.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Alterem-se as regras para prever a penalização dos pais que permitem tal comportamento.»

Desafios que se pagam caro
«Toda a gente sabe que a Natureza é ingrata na nossa Região e que cíclicamente somos brindados com fortes temporais. Aquilo que é do conhecimento comum devia ser do
conhecimento de quem nos governa mas, infelizmente, não é!
Muitas das Obras feitas na Região, independentemente da sua utilidade, não obedecem a estudos que tenham em conta a previsão das piores ocorrências naturais.
Obras que alteram o curso normal das Ribeiras ou Obras que entram pelo Litoral dentro
não têm o mínimo respeito pela Natureza e, quando ela se manifesta em toda a sua força
destruidora, lá vêm os homens que a desafiaram dizerem que a culpa dos desastres que acontecem são dela e não de quem a desafiou.
Nos últimos anos muitos dos desastres ocorridos por força dos temporais têm sido ampliados por Obras que não têm respeitado os limites naturais que deveriam ser tomados
em linha de conta.
Desastres nas margens das Ribeiras e desastres no Litoral, são muitas vezes amplificados por Obras anti-natura que só ali estão porque alguém entende que é maior do que a própria natureza, como aliás já declarou...
Só que estes desastres, infelizmente já custaram noutros anos vidas humanas e custam sempre muito ao erário público. São milhões para construir onde, muitas vezes não se devia.
São milhões para reparar aquilo que foi destruído e que era previsível que acontecesse
em ano de maior temporal.
E não tem sido falta de avisos. Eu próprio alertei para consequências desastrosas que poderiam ocorrer de Obras que alteravam substancialmente o curso natural das coisas.
Chamei a atenção para o perigo que poderia representar as obras de afunilamento da
Ribeira em São Vicente em caso de forte temporal. É claro que a Festa da Inauguração com espetada e vinho a rodos levou os votos para quem fez a obra e impôs castigo eleitoral a quem chamou a atenção para o perigo.
Hoje neste caso como, infelizmente em outros, a Natureza reclamou o que é seu e causou
enormes prejuízos em particulares que não sabem se vão recuperar o perdido e vão
obrigar a novos gastos da Região.
Às vezes parece que há surdez de quem nos governa, mas pensando bem não há...
É que no meio disto tudo há quem saia sempre a ganhar, na graça e na desgraça. Ganham
para construir e ganham para reparar a destruição.»(Diário Cidade)
Na casa do agressor foram encontrados um revólver com munições, uma carabina e cocaína29 Dezembro 2009 -
Agressor fica livre
«Espancada quase diariamente pelo companheiro, ‘Sara’ ainda pensou que o seu calvário acabasse em Setembro, quando se queixou à GNR. Ninguém deteve o agressor, nem sequer o afastou de casa, em Almargem do Bispo, Sintra. A violência continuou até à véspera de Natal, o último dia em que a jovem de 31 anos foi brutalmente agredida. Entretanto, já os dois filhos menores estavam entregues a familiares – um deles ficou em estado de choque ao ver a mãe levar murros e pontapés. No último dia 24, a GNR foi finalmente buscar o agressor a casa, onde escondia um arsenal de armas. Presente ao Tribunal da Amadora, o homem saiu em liberdade.
O juiz decidiu pela libertação do suspeito, ...»
(Correio da Manhã) Só podia ser!

Michele Obama



Keeley Hazell
